COMO É TOCAR NO ROCK IN RIO?


9 de fevereiro de 2018


COMO É TOCAR NO ROCK IN RIO?

Como é tocar no Rock In Rio?

O Rock In Rio é um evento que se transformou em marca, de uma marca já passou a ser uma franquia e agora faz parte da cultura popular brasileira, que gerou um impacto profundo e direto na economia, na forma de experimentar a música e nas quebras de paradigmas, além de ser amplamente difundida e respeitada pelo mundo. E, cá entre nós, quem (dos músicos) nunca se quer sonhou, ou no mínimo se imaginou tocando no Rock In Rio?

São muitos os entusiastas do mundo paralelo, fora do eixo e nada simpatizante do mainstream. Ok, concordo que o estilo de vida beat tem tudo a ver com o rock. Mas vamos lá, estamos falando do Rock In Rio, um evento que nasceu justamente com os mesmos princípios do woodstock, ou ao menos em partes. O que eles tem em comum? Ambos foram empreendimentos de homens de negócios visionários, e que sem o ímpeto beat nem um e nem outro teriam acontecido.

Conhecemos o Rock In Rio de ver na TV, de assistir aos shows no YouTube, logo depois que acontecerem pra ver o que rolou, ou em partes de ver ao vivo os artistas e bandas tão desejados. Mas, e se pudéssemos ter uma leve noção de como acontece nos bastidores do evento? Ou melhor que isso, uma noção de cima do palco, do ponto de vista do músico, qual seria a sensação?

“É uma sensação empolgante, mas ela é assustadora de certa forma. É uma massa, um grupo de pessoas muito grande reunida… elas formam uma unidade diferente, como se fossem uma pessoa só: a pessoa platéia.”

Essas são algumas das muitas palavras que Billy Brandão (Frejat), o nosso entrevistado especial tem a dizer sobre o RIR.

Se você não conhece Billy Brandão, com certeza já ouviu seus riffs e solos de guitarras em músicas de grandes artistas nacionalmente renomados, como Erasmo Carlos, Paulo Ricardo, Marisa Monte, Ana Carolina, Martinho da Vila e o currículo ainda vai longe.

Questionado a respeito das expectativas de quem vai tocar em mais uma edição, Billy não esconde o jogo:

“É uma ansiedade boa… é mais aquela coisa: CARACA, é hoje… vamos arrebentar!”

Billy participou de várias edições do Rock In Rio ao lado do Frejat, com quem toca desde 2.001, e nos conta suas experiências inusitadas, seus desafios e a grandiosidade que é estar num palco do RIR.

“Fica sempre aquela coisa: vai ter mais um RIR, será que eu vou tocar nesse de novo?… sempre tem uma ‘experançazinha’, né!”

O RIR é um evento famoso por acontecer no Rio, mas teve extensões mundiais em Portugal, Espanha e Estados Unidos e somados contabilizam 17 edições ao longo de sua história… Nessas edições internacionais acaba levando muitas bandas e artistas brasileiros para fora de nossas fronteiras, oportunidades que oferecem aos nossos artistas experiências diferentes, o que normalmente acontece o contrário, nós é que recebemos artistas gringos.

Ao lado de Frejat, que é um dos ícones do rock nacional, Billy sabe que continua a sustentar uma história consistente, que se inicia ainda na primeira edição:

“A história continua sendo escrita. A gente só tem a noção da importância histórica das coisas depois que elas passam.”

Além disso, comenta com serenidade e muita consciência a discrepância entre realidades opostas como músico no Brasil:

“Num dia você está tocando para quase 100 mil pessoas, no outro pra 100 pessoas num evento fechado… e isso é bom, baixa a nossa bola, nos trás pro mundo real.”

Ao observar um evento dessa magnitude, podemos imaginar o trabalho e o empenho, não só da parte dos organizadores, mas também da parte das bandas, que em geral querem entregar o melhor espetáculo ao público. Não é a toa que muitas bandas aproveitam a oportunidade para registrar o show no RIR em DVD, como foi o caso do Iron Maiden e do próprio Frejat, assim como vários outros.

Mas, para se preparar, o músico precisa ralar muito, não é nada fácil subir em dos maiores palcos do mundo:

“A rotina de um músico, ao contrário do que as pessoas pensam, é de muita ralação.”

“No mês anterior ensaiamos o show novo. Na última semana focamos o RIR… estávamos muito preparados e recolocamos o cronograma do evento de volta no lugar.”

Os dias frenéticos do evento, entre um show e outro, entre uma barraca e outra, entre um estande e outro, o que rola é uma grande celebração, seja ela do que for e como for. Cada visitante e cada artista quer se conectar e compartilhar a sua personalidade, seus anseios e desejos… cada pessoa que gritar ao mundo o que tem a dizer, vou ouvir os que gritam, nesse caso, os que tocam.

A primeira edição do evento já apontava um feito histórico quase impossível, mas não sinalizava que as coisas poderiam de fato se repetir, por mais que fosse um desejo por parte dos idealizadores e também por parte do público. Tão verdade que as primeiras edições tiveram intervalos longos de muitos anos, entre uma e outra. Apenas depois da edição de 2001 é que o evento ganhou mais força e pode se repetir em intervalos menores, inclusive em outros países.

A força do evento é grande, o seu impacto sem precedentes, mas alguns números revelam a importância do RIR. Segundo o site oficial as 17 edições somam 1.588 artistas escalados, 8,5 milhões de pessoas na platéia, 73 milhões de árvores doadas a Amazônia, 182 mil empregos, 11 milhões de fãs online, 101 dias de evento e um alcance de 500 milhões de pessoas em 2015.

Nós concordamos com Billy… a história continua sendo escrita, e talvez só teremos noção da importância dos dias de hoje lá no futuro.

O que estamos mostrando pra você é um pequeno pedaço de um festival mundial que parecia impossível. Se Roberto Medina, o idealizador do evento, conseguiu em meio a incontáveis desafios realizar esse estrondoso e mundial sucesso, você também pode.

Lute e ouse trilhar o seu caminho, para quem sabe no futuro escrevermos e registrarmos a sua história, seja no Rock In Rio, seja em uma banda, seja em uma garagem.

Toque e sonhe, sempre!

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