O ROCK E O SERTANEJO – O mesmo lado das duas moedas


27 de março de 2018


O ROCK E O SERTANEJO – O mesmo lado das duas moedas

Há poucos dias atrás fomos pegos de supresa quando a Gibson, umas das mais famosas, lendária e centenária marca de guitarras divulga ao mundo seu ‘possível’ pedido de falência.

Empunhada por ícones do rock como Slash, BBKing, Angus Young, Eric Clapton, Mark Knopfler, Keith Richards, Joe Perry entre outros, a empresa se transformou ao longo da sua história, em uma das marcas mais influentes do planeta, batendo a casas do bilhão em faturamento anual. Concordo que se comparado com empresas de tecnologia não é lá grandes coisas!

O lance é que, uma empresa desse porte, que queira você ou não está presente nos maiores espetáculos e programas de TV do mundo, sumir de repente, é no mínimo polêmico.

Em poucos dias essa notícia vem gerando muita especulação sobre o futuro do rock e seus efeitos na cultura popular com a famosa frase: o rock morreu?

Os efeitos da morte ou enfraquecimento de um segmento nada tem haver com as dificuldades de participação de uma ou outra marca no mercado. Temos que levar em consideração que grandes monopólios são distintos com o tempo, deixando apenas sombras e poeiras, basta visitar as pirâmides do Egito para constatar que nenhum poder neste nosso mundo Terra é para sempre.

Bom, em se tratando de monopólio, poder e a tal morte do rock, uma coisa não tem nada haver com a outra. Mas, você deve estar se perguntando: o que isso tem haver com o sertanejo? Tudo… uma vez que o rock pode até dar sinais vitais de enfraquecimento, porém a expressão humana e genuína através música, jamais morrerá! goste você do Pabllo Vittar ou não, não deixa de ser uma expressão, por mais absurda que essa sentença possa parecer.

TÁ, LEGAL. MAS, E… ?

Tudo entre o céu e a terra é vaidade, ok? Tudo aqui é business e nada muito mais do que isso.

A passagem entre o final doas anos 60 pros 80, quando o rock explodiu, parecia que aquilo não passava de uma expressão geracional, uma bolha (ou várias bolhas) que foram aos poucos dominando jovens do mundo inteiro, só parecia. A impressão que temos é que é tudo muito orgânico, legal, que as bandas chegaram ao seu auge simplesmente pq são o que são: beberrões, mulherengos, drogados e vagabundos. Mas por trás de cada artista, ainda com esses atributos, estava um trabalhador capaz de virar noites e noites, estudando, compondo, gravando, viajando e tocando em grandes espetáculos.

O motor propulsor desses jovens era a adrenalina, o ajuntamento e a famosa histeria coletiva de seus fãs. As garotas enlouquecidas e todos os tipos de entorpecentes disponíveis. Os shows e luzes ficam a parte, ou eram a parte que mais aparecia. Grandes vendagens, programas de TV e tudo o que um grande lançamento de LP oferece, ou melhor, exige.

Tudo o que aparece na mídia, cresce, explode e contagia, é na realidade fruto de uma máquina capitalista muito bem planejada e orquestrada. Tudo no seu lugar, para que dê certo e gere lucros. Afinal é pra isso que todos nós trabalhamos, pois vivemos em um país de livre iniciativa e capitalista. Ninguém quer ver o seu suor virar pó como o Egito.

É a lei da oferta e procura: eu tenho um produto, as pessoas gostam, logo ele vende. Mas se tem a mídia em volta, apostando e divulgando, esse produto com certeza vende mais ainda.

Pense bem, você que tem mais de 30 vai ter a leve lembrança dos programas de TV com as bandas vindas dos anos 80.

Esse cenário descreve bem um pouco da história musical na América, certo?

Vamos mudar o foco e continuar enxergando de dentro desse domo, mas de outra perspectiva: o que o rock difere do sertanejo? sinceramente, além de substituir as guitarras pelos violões e violas junto com um chapéu, nenhuma diferença. Ah, e o xadrez? até o grunge do nirvana se rendeu a ele.

Seguindo trocadilhos do Humberto Gessinger (Engenheiros Do Hawaii) com a famosa “os óculos do John ou o olhar do Paul?” me arrisco em analisar o rock e nosso sertanejo latino-americano:

O xadrez do Kurt Cobain ou do Michel Teló?

O topete do Elvis ou do Luan Santana?

Os cabelos do Axl Rose ou da Thaeme?

 

O chapéu do Lemmy ou do Sorocaba?

As guitarras do Slash ou do Hudson? Ah te peguei nesse trocadilho, pois talvez seja a mesma pessoa (só fãs entenderão, sorry!)

Todos influenciaram, todos tocaram incansavelmente na rádios, na TV, todos faturaram muito, venderem muito. Todos popularizaram em suas proporções.

Vemos todos os elementos do Rock cada vez mais vívidos no sertanejo, mudando uma coisinha aqui, outra ali, mas no fundo mesmo são os mesmos lados de duas moedas de valores diferentes, mas que se parecem muito.

Hoje os verdadeiros figurões, pegadores, ricos, famosos (e seja lá o que mais um rockstar era nos anos 80) são os sertanejos. O apelo transgressor não está em um rótulo, é comportamental. Sobrou pro Rock o amor ao estilo dos puritanos, e isso é natural em suas fases, ciclos e ondas que vão e vem, largando no mar alguma concha e outra.

Uma geração vai sempre influenciar a outra geração, assim como o rock deixou seus heranças aos sertanejo, será também com o sertanejo em relação a uma nova geração, seja ela de músicos ou de youtubers. É assim que é.

HÁ ESPERANÇA NO FUTURO

O futuro nos reserva bênçãos, acredite. Estamos em uma era aonde todas as pessoas tem acesso a todo tipo de informação, fazendo de todos nós especialistas de todo o tipo de assunto. Mas o que isso quer dizer? com a informação, todos somos um pouco médico, um pouco escritor, um pouco poeta, um pouco atleta, um pouco de tudo (pra continuar parafraseando Humberto).

Todas as pessoas tem acesso a tudo, da mesma forma os produtos farão de tudo um pouco, veja o exemplo dos Smartphones. Há 10 anos atrás era quase impensável ver um celular fazer tudo o que faz hoje. As pessoas seguirão intrinsecamente essa mesma tendência, assim como o rock e o sertanejo trocando influências e figurinhas entre si, estilos tão distintos, nós também passamos a compartilhar mais informações e experiência do que imaginamos.

Melhor futuro que esse não há, onde os rótulos se esvaem, onde o preconceito vira conceito singular de respeito.

Hoje você pode ter um smartphone pra tudo e até fazer ligações. As caixas amplificadas não são mais só pra tocar guitarras distorcidas. Essa é a grande herança do rock e do sertanejo, o gosto popular por ambos os estilos, desde que bem feitos, todos são válidos.

Hoje, em um mesmo produto o usuário é capaz de tocar guitarra, viola, violão, ou conectar através do Bluetooth as músicas do seu celular. Isso na mesma caixa onde se toca a guitarra distorcida.

Assim como uma caixa que pode tocar o rock e o sertanejo, entre um estilo e outro há pouca diferença, talvez mude o seu número estampado na “coroa”, representado por seus bilhões de vendas e discos de ouro, mas no fim das contas quando olhamos pro lado da “cara”, são os mesmos lados das duas moedas.

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